Cultura
escolar, currículo e indisciplina: que relações?
Solange
Gonçalves Santos de Oliveira1, Karina Pereira Pinto2,
1 Discente
do Curso de Licenciatura em Pedagogia DCIE/UESC, e-mail:
solangeios@hotmail.com, 2 Orientadora, docente do
DFCH/UESC, e mail: karinappinto@bol.com.br,
A
indisciplina escolar é vista por muitos como procedimento inadequado,
desobediência, desordem, rebelião. Todavia, diversas pesquisas apontam que a
indisciplina discente não é descontextualizada e que este comportamento pode
ser uma forma de manifestação e resistência à normatização escolar. A
indisciplina seria, portanto, fruto do modo de confronto de novos sujeitos
históricos e velhas formas institucionais. Este estudo tem como objetivo
analisar de que forma a cultura escolar e o currículo podem provocar a
indisciplina nos discentes. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de base
qualitativa que traz como fundamentação teórica a genealogia de Michel
Foucault. Este ressalta o poder como relações de forças e produtor da
naturalização das relações de sujeição e de resistência. Como resultados
obtidos, podemos ressaltar que indisciplina é uma questão que inquieta os
educadores. Estes têm dificuldade em lidar com este fator, pois esperam encontrar
discentes que se submetam de forma passiva às normas estabelecidas pela escola,
sem questionar as regras impostas. Nas escolas ainda encontramos uma cultura
engessada, uma cultura clássica que foi por muito tempo considerada como única
e universal e utilizada como modelo para configuração da cultura e do currículo
escolar. Esta cultura de visão elitista promove preconceito, discriminação e
exclusão, por ser pouco permeável aos universos culturais das crianças e jovens
que ali estão inseridos. Quando a cultura do aluno não é respeitada, este pode
reagir com indisciplina como forma de resistência à imposição da cultura
escolar. A cultura escolar e o currículo são formados a partir de práticas
disciplinares, visando a normatização do indivíduo com base na produção da
subjetividade burguesa. Os discentes são mantidos sob um olhar vigilante que
limita, registra, contabiliza. Consequentemente, a indisciplina eclode como um
comportamento de transgressão, de desacordo às regras presentes nas escolas.
Trata-se de uma forma de protesto que surge quando os sujeitos são
discriminados e desvalorizados. Conclui-se que o indivíduo precisa ser
respeitado na sua totalidade. Desta forma, é necessário que o currículo seja
acolhedor da diversidade, capaz de reconhecer igualmente o direito de cada um,
de forma a valorizar as diferenças, afastando deste ambiente a desigualdade e
garantindo a todos o direito de aprender.
Palavras-Chave: Indisciplina,
Currículo, Cultura escolar.
Ciências Humana