domingo, 16 de fevereiro de 2014

Cultura escolar, currículo e indisciplina: que relações?

Cultura escolar, currículo e indisciplina: que relações?


Solange Gonçalves Santos de Oliveira1, Karina Pereira Pinto2,

1 Discente do Curso de Licenciatura em Pedagogia DCIE/UESC, e-mail: solangeios@hotmail.com, 2 Orientadora, docente do DFCH/UESC, e mail: karinappinto@bol.com.br,



A indisciplina escolar é vista por muitos como procedimento inadequado, desobediência, desordem, rebelião. Todavia, diversas pesquisas apontam que a indisciplina discente não é descontextualizada e que este comportamento pode ser uma forma de manifestação e resistência à normatização escolar. A indisciplina seria, portanto, fruto do modo de confronto de novos sujeitos históricos e velhas formas institucionais. Este estudo tem como objetivo analisar de que forma a cultura escolar e o currículo podem provocar a indisciplina nos discentes. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de base qualitativa que traz como fundamentação teórica a genealogia de Michel Foucault. Este ressalta o poder como relações de forças e produtor da naturalização das relações de sujeição e de resistência. Como resultados obtidos, podemos ressaltar que indisciplina é uma questão que inquieta os educadores. Estes têm dificuldade em lidar com este fator, pois esperam encontrar discentes que se submetam de forma passiva às normas estabelecidas pela escola, sem questionar as regras impostas. Nas escolas ainda encontramos uma cultura engessada, uma cultura clássica que foi por muito tempo considerada como única e universal e utilizada como modelo para configuração da cultura e do currículo escolar. Esta cultura de visão elitista promove preconceito, discriminação e exclusão, por ser pouco permeável aos universos culturais das crianças e jovens que ali estão inseridos. Quando a cultura do aluno não é respeitada, este pode reagir com indisciplina como forma de resistência à imposição da cultura escolar. A cultura escolar e o currículo são formados a partir de práticas disciplinares, visando a normatização do indivíduo com base na produção da subjetividade burguesa. Os discentes são mantidos sob um olhar vigilante que limita, registra, contabiliza. Consequentemente, a indisciplina eclode como um comportamento de transgressão, de desacordo às regras presentes nas escolas. Trata-se de uma forma de protesto que surge quando os sujeitos são discriminados e desvalorizados. Conclui-se que o indivíduo precisa ser respeitado na sua totalidade. Desta forma, é necessário que o currículo seja acolhedor da diversidade, capaz de reconhecer igualmente o direito de cada um, de forma a valorizar as diferenças, afastando deste ambiente a desigualdade e garantindo a todos o direito de aprender.


Palavras-Chave: Indisciplina, Currículo, Cultura escolar.

Ciências Humana
Cultura escolar e indisciplina: que relações?
http://propp.uesc.br/sicanais/resumos/20131245.html

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